Dois Campeonatos Brasileiros, quatro Paulistas, uma Recopa, uma Supercopa, duas Libertadores e um Mundial. Entrei no gramado do Nacional de Tóquio, em 12 de dezembro de 1993, com esses títulos conquistados em oito anos de São Paulo. Perder a final para o Milan não arranharia em nada o meu histórico no clube. Mas ganhar dos italianos representaria muito. Era a chance de levantar a taça na importante figura de capitão do time. Substituía na função o grande Raí. Honra para poucos. Escolhido para viver algo tão especial, tinha na cabeça que precisava ser perfeito. Matar a pau! E nós matamos. Não tem como falar do São Paulo dos anos 1990 sem citar o senso coletivo instaurado naquele grupo. Éramos verdadeiramente amigos, nos gostávamos, corríamos um pelo outro, vencíamos juntos. Zetti foi o meu companheiro de quarto nesse período. Pessoa pacata. Fera de goleiro. A cumplicidade existente entre nós fazia da defesa do São Paulo um muro difícil de transpor. Não impossível, o Milan nos superou por duas vezes. Quando Müller marcou o terceiro gol, gritei para todos do setor: “Agora chega! Não passa mais nada aqui, hein”. Ganhamos o bicampeonato. Foi meu último jogo pelo São Paulo Futebol Clube. Dever cumprido, fechado com chave de ouro, despedida dos sonhos. Lugar-comum é o que não falta para definir a derradeira partida de um total de trezentas. Incomum é construir a prateleira de troféus que ergui em casa. A medalha do Mundial de 1993 está em destaque. Pode apostar que, se tivesse ido p