A primeira imperatriz do Brasil foi, durante muito tempo, reduzida a uma figura marcada por tragédias: traída pelo marido, obrigada a conviver com a amante, criticada pela aparência fora dos padrões e subestimada em sua inteligência. Rompendo os julgamentos da sociedade que a cercava, esta biografia desmistifica por que d. Leopoldina foi apagada ao longo da história e revela sua real importância na Independência do país.
Nascida na Áustria, a arquiduquesa Habsburgo desde jovem demonstrou interesse pelas ciências naturais, especialmente geologia, botânica e mineralogia – áreas raramente associadas às mulheres da época. Ao embarcar para o Brasil, aceitou com entusiasmo e o medo característico do desconhecido o seu destino: casar-se com d. Pedro. Para além do encantamento por um retrato, tê-lo como marido era parte de algo maior, uma missão diplomática de unir seu país de origem a um Brasil ainda pouco explorado.
O contraste entre d. Leopoldina e d. Pedro era evidente – a educação polida, a postura e a erudição dela eram realçadas ao lado de um personagem conhecido
por casos extraconjugais e temperamento impulsivo. José Bonifácio chegou a observar que “ela devia ser ele”, uma opinião comum na corte. Além de exercer seu papel diplomático, a arquiduquesa não foi mera espectadora dos eventos históricos, mas habilidosa estrategista política, que exerceu uma liderança muitas vezes ofuscada, porém fundamental para os primeiros passos do Brasil como nação independente.