Com o sugestivo título “Da Máquina à Nuvem - Caminhos para o acesso à justiça pela via de direitos dos motoristas da Uber”, a obra retrata o resultado de pesquisa, densa e profunda, sobre o trabalho das pessoas que se encontram vinculadas às relações jurídicas estabelecidas no transporte contratado por meio do aplicativo multiplataforma – ou simplesmente “app” – Uber.
Em uma interessante metáfora com o veículo, alguns dos seus componentes ou relacionados ao ato de dirigir, a jovem pesquisadora distribui o tema em quatro capítulos (“o veículo”, “o motor”, “a sinalização” e “a direção”), além da conclusão.
No primeiro deles, aborda a origem da empresa Uber, as agressivas estratégias de marketing adotadas para que se tornasse conhecida mundialmente e disseminasse a forma de contratação do serviço de transporte por ela introduzida, na qual o motorista trata o passageiro de modo particularmente diferenciado a ponto de parecer a ele que esteja utilizando o serviço de um verdadeiro “motorista particular”, e não um serviço comum de transporte.
O segundo capítulo é um dos mais importantes. Dedica-se ao capitalismo, desde o surgimento da máquina a vapor – “a máquina” – até o capitalismo cognitivo – “ a nuvem” –, este último referenciado como o “motor” da “uberização da economia”, neologismo que caracteriza uma das facetas do capitalismo contemporâneo, provocador de novas formas de exploração do trabalho humano, as quais, paradoxalmente, recuperam velhas estratégias de dominação