A Universidade de Santiago de Compostela ensina, há séculos, que o conhecimento se constrói em caminhos que atravessam fronteiras. A Universidade Complutense de Madrid, à qual também me ligam tantos anos de vida acadêmica, confirma a mesma lição. Vejo, por isso, com particular satisfação, que aquele jovem pesquisador vindo do Ceará transformou a experiência acumulada entre continentes, salas de aula, instituições e problemas concretos em uma voz própria. O antigo discípulo tornou-se interlocutor, e esta é uma das mais altas recompensas que um professor pode receber.Entrego, pois, estas páginas ao leitor com uma recomendação menos confortável do que o elogio fácil: leia-as com lápis à mão. Sublinhe, confira, conteste, volte atrás. Não trate este livro como catecismo, mas como convite à interlocução. A nova ordem computacional não será compreendida por unanimidades apressadas, e muito menos governada por palavras de ordem. Exigirá juristas capazes de ver, sob a aparência imaterial do digital, a materialidade do poder. É esse olhar que a obra procura formar. E é por isso que merece ser lida, discutida e, como toda obra verdadeiramente universitária, um dia superada por perguntas ainda melhores.Enrique Gómez-Reino y CarnotaCatedrático de Direito Administrativo (emérito).Universidade de Santiago de Compostela e Universidade Complutense de Madrid.