O sistema de justiça contemporâneo enfrenta desafios que ultrapassam os limites tradicionais da interpretação jurídica. Conflitos familiares complexos, violência doméstica e familiar, violações de direitos de crianças e adolescentes e múltiplas situações de vulnerabilidade social passaram a ocupar lugar central na agenda judicial. A resposta institucional a essas demandas exige mais do que a aplicação técnica da lei: exige compreensão qualificada das realidades humanas, sociais e psicológicas que atravessam os conflitos levados ao Judiciário.
Nesse cenário, a atuação das equipes técnicas multiprofissionais tornou-se elemento indispensável para a efetividade da atividade jurisdicional. Psicólogos, assistentes sociais, pedagogos e outros profissionais das ciências humanas passaram a desempenhar papel fundamental na produção de diagnósticos técnicos capazes de subsidiar decisões judiciais em matérias de elevada complexidade social e humana. Essas equipes permitem que o processo judicial incorpore dimensões subjetivas, relacionais e sociais que frequentemente escapam à análise estritamente jurídica.
Ao comentar a Resolução CNJ 667/2025, este livro busca não apenas interpretar um ato normativo, mas também registrar um momento importante de transformação institucional no sistema de justiça brasileiro. Mais do que uma norma administrativa, a resolução simboliza o reconhecimento de que a justiça do século XXI exige diálogo entre o direito e as ciências humanas.
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