O livro 'Família: Mitos Ancestrais e Crise da Maternidade', de Fernanda Las Casas, aborda a história do papel das mulheres no projeto parental ao longo dos tempos, analisando desde a Pré-História até a contemporaneidade no Brasil, desconstruindo mitos sobre a “natureza” da vulnerabilidade feminina e questionando o lugar da mulher na família e na sociedade.
O texto demonstra que a percepção da vulnerabilidade feminina é construída socialmente, não sendo um traço biológico imutável. Nas análises históricas, verifica-se que as narrativas sobre a Pré-História foram criadas majoritariamente por estudiosos homens, com base em poucas evidências e muita subjetividade, reforçando uma visão de mulheres frágeis e relegadas ao cuidado, enquanto os homens eram representados como caçadores e provedores, protagonista das sociedades humanas.
O livro argumenta que a vulnerabilidade feminina é incidental (contextual, não essencial) e deriva de construções sociais, jurídicas e culturais alimentadas por mitos ancestrais travestidos de verdades biológicas.
Mais ainda, afirma que as conquistas legais e sociais das mulheres não foram suficientes para superar as desigualdades, e a maternidade passou a ser questionada diante da divisão desigual do trabalho de cuidado, da baixa valorização do trabalho doméstico e da persistência do abandono paterno.