A inteligência artificial generativa deixou de habitar o campo das especulações futuristas para se tornar uma realidade presente, capaz de transformar profundamente a forma como trabalhamos, decidimos e nos relacionamos com o conhecimento. No universo jurídico, seu avanço suscita questões inevitáveis: até que ponto algoritmos podem participar da construção das decisões judiciais? Quais são os limites éticos, jurídicos e democráticos dessa nova fronteira tecnológica?
Em O Juiz e o Robô, Fernanda Antunes Marques Junqueira conduz o leitor por uma instigante reflexão interdisciplinar sobre os impactos da inteligência artificial no exercício da jurisdição. A obra percorre a evolução histórica da tecnologia, seus fundamentos conceituais, aplicações no sistema de justiça, riscos inerentes à automação decisória, experiências regulatórias internacionais e os desafios da governança algorítmica.
Com sólido embasamento teórico e apurada sensibilidade humanista, a autora demonstra que, embora a inteligência artificial seja capaz de ampliar a eficiência, otimizar procedimentos e potencializar o acesso à justiça, ela não pode substituir aquilo que constitui a essência da atividade jurisdicional: a responsabilidade ética pela decisão, a prudência na interpretação dos fatos, a sensibilidade diante das singularidades do caso concreto e a capacidade genuinamente humana de atribuir significado à complexidade da experiência vivida.