Em A língua absolvida, Elias Canetti narra sua infância e adolescência na Bulgária, seu país de origem, e em outros países da Europa para onde foi obrigado a se deslocar, seja por razões familiares, seja pelas vicissitudes da Primeira Guerra Mundial. Ao mesmo tempo que registra, num tom quase romanesco, os acontecimentos e as pessoas mais marcantes dessa fase crucial de sua vida, Canetti vai fazendo emergir ao primeiro plano o fascínio que a linguagem e a literatura inevitavelmente exerciam sobre o menino a quem os anos transformariam no escritor brilhante. Ficamos conhecendo os livros que ele ganhava do pai, o avô que falava dezessete línguas, o duro aprendizado do alemão com a mãe — língua que depois adotaria — ou as leituras que faziam juntos. Existe assim, no livro, uma tensão constante entre vínculos familiares e desenvolvimento de uma consciência literária, como observou o Stuttgarter Zeitung.