A presente obra que compõe a Biblioteca de História do Direito de publicação da Juruá Editora se constitui em duas partes: uma primeira que enfrenta uma discussão de cunho mais teórico sobre a arte e o ofício do historiador do direito brasileiro, que se denominou ferramentas. O mote, aqui, foi perquirir a potencialidade das análises do direito tendo como ferramentas conceituais a 'cultura jurídica', o 'discurso jurídico', a historicidade do 'conceito jurídico' ou a ideia de 'imaginário jurídico'. Ainda no âmbito dessas ferramentas - e caminhando no sentido de complexificar dicotomias e fugir do 'preto' ou 'branco' - discutiram-se implicações entre filosofia e história no âmbito metódico, e, em particular no debate 'sujeito x objeto'. Na segunda parte - em plena continuidade metodológica com a primeira - há uma série de estudos sobre a história do direito do Brasil que fornecem um importante panorama sobre a cultura e o pensamento jurídico brasileiro no contexto do século XIX (momento em que se constitui e se estrutura um projeto estatal e jurídico para o Brasil independente) até o início do século XX. Essa segunda parte do livro - na qual as 'ferramentas' se mostram em pleno uso e ação - se denominou Artesanias. Ali temos relevantes análises sobre o lugar da posse no discurso dos juristas brasileiros desde os oitocentos até o código civil de 1916, os contornos do discurso médico e do discurso dos juristas no âmbito criminal, o papel da retórica e da ciência em juristas brasil