Longe de reduzir a representação comercial a um repertório de praxes forenses, o autor teve a percuciência de submeter o tipo contratual à análise dos temas mais delicados e densos da civilística, tais como a proporcionalidade e o exame dos direitos fundamentais nas relações entre privados, o enriquecimento sem causa, a culpa in contrahendo e as múltiplas projeções da boa-fé objetiva, elevando o debate a patamar dogmático que raramente se lhe dedicou.
Some-se a isso o rigor de um referencial teórico claramente assumido, ancorado no modelo de eficácia indireta dos direitos fundamentais e no consequente respeito à autonomia privada, de modo a reservar a incidência das normas constitucionais às hipóteses verdadeiramente excepcionais e racionalmente justificáveis.
A obra estrutura-se segundo um fio condutor cronológico, que muito facilita a leitura e confere unidade ao conjunto.
Não se esquiva o autor, ademais, em nenhum desses domínios, do enfrentamento das controvérsias, oferecendo, a cada passo, não a mera repetição do já assentado, mas propostas de solução dogmaticamente sustentadas e sensíveis às suas consequências práticas, virtude tanto mais valiosa quanto se cuida de matéria em que doutrina e jurisprudência ainda tateiam.