A tese que defendemos ao longo destas páginas é que um país só consegue dissuadir de forma consistente — e sem se perder em improvisos — quando trata a segurança cibernética como política de Estado, com governança, integração institucional e métricas de desempenho que resistam ao teste do tempo e das crises.
Este livro é, portanto, um esforço de arquitetura: uma tentativa de organizar o tema em torno de princípios e escolhas que o Estado precisa fazer antes, durante e depois de incidentes relevantes. Ele não é um catálogo de “ameaças da moda”, nem um manual de ferramentas, tampouco um guia de resposta a incidentes voltado ao cotidiano corporativo. Também não pretende oferecer soluções mágicas nem prometer blindagens absolutas — promessas desse tipo costumam ser o prelúdio de frustrações e de más decisões. Nosso foco está no nível estratégico e institucional: nas condições que permitem ao país atravessar conflitos persistentes e ambíguos, muitas vezes abaixo do limiar da guerra declarada, sem perder a capacidade de governar, prestar serviços, proteger direitos e sustentar narrativas legítimas perante a população e a comunidade internacional.
Escrevemos para públicos diversos, porque a natureza do problema é necessariamente transversal.